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A mostrar mensagens de novembro, 2025

“Se não estão a trabalhar que tomem conta dos filhos”: escolher errado as prioridades da educação

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  Frases como “Se não estão a trabalhar que tomem conta dos filhos” revelam muito mais sobre prioridades ideológicas do que sobre políticas públicas sérias. Ao invés de discutir formas de expandir o acesso à educação e criar oportunidades para todas as crianças , alguns preferem impor critérios punitivos que condicionam direitos fundamentais à situação laboral dos pais. O verdadeiro debate não é sobre quem “merece” escola, mas sobre como garantir que cada criança tenha a oportunidade de aprender, crescer e aceder ao elevador social , independentemente do trabalho ou rendimento dos progenitores. A Constituição da República Portuguesa é clara: todas as crianças têm direito à educação — e esse direito não pode ser reduzido a slogans populistas ou moralismos sobre produtividade. Imaginemos o raciocínio inverso: se a educação dependesse do emprego dos pais, estaríamos a transformar um direito fundamental em uma espécie de prémio condicionado . É aqui que a política populista falha: en...

“Se não estavas preparado, não vinhas”

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Há momentos na vida política local que são verdadeiros estudos de caso — não sobre governação, mas sobre improvisação. Um desses momentos deu-se quando um vereador, cheio de convicção e indignação moral, decidiu perorar sobre contratos públicos. O problema? Não fazia a mais pequena ideia do que estava a dizer. Entre o ato de adjudicação e o auto de receção da obra, perdeu-se algures o fio à meada — e a dignidade do debate. É que uma coisa é adjudicar, ou seja, decidir a quem se vai atribuir a obra; outra, muito diferente, é receber a obra concluída. Mas na cabeça do nosso estudioso improvisado, tudo parecia caber no mesmo saco de confusões administrativas, embrulhado em discursos sobre “transparência” e “rigor”. É de aplaudir, de facto, a coragem de falar com tanta segurança sobre aquilo que manifestamente não se entende. O problema é que o país está cheio de especialistas em “parece que sei”, e curto de gente que estuda, lê e se prepara. O estudo, meus senhores, não é um adereço — é a...