Apaga isso pá! Quando a política vira reality show
Há quem veja três eleitos a conversar e pense: “estão a trabalhar”. E há quem veja exatamente a mesma cena e pense: “escândalo, conspiração, traição à pátria”. O vereador Barreira Soares, do Chega, pertence claramente à segunda escola. Uma simples conversa entre eleitos de diferentes partidos na Câmara de Vila Franca de Xira transforma-se, no seu enquadramento dramático, numa espécie de Conselho de Estado secreto, algures entre a maçonaria e o golpe palaciano. Três autarcas trocam impressões? Claramente “vassalagem”. Discutem o orçamento? Evidente “aliança nas sombras”. Falam antes de uma votação? Inequívoco “acordo de bastidores”. No universo do populismo performativo, o diálogo é sempre suspeito, a menos que seja transmitido em direto com indignação suficiente para gerar partilhas. O mais extraordinário é esta ideia quase infantil de que a política democrática deve funcionar como um permanente duelo de espadas, onde ninguém fala com ninguém e cada um grita a sua pureza moral do...